Disrupção digital: mais um enigma corporativo para você enfrentar?

disrupção digital

Você estava tão orgulhoso de si mesmo.

Depois de desvendar todos os mistérios da tão aclamada “inovação disruptiva”, já tinha inclusive tirado de letra todos os desafios da “transformação digital”…  enquanto a maioria nem sabia o que estava acontecendo nesse mundo.

Estava super dominando e até rascunhando um artigo no Linkedin sobre o tema quando, de repente, seu colega cochicha assustado:

– Então, você vai na reunião sobre “disrupção digital”?

Dois segundos de pânico se manifestam em seu olhar – enquanto a música tema do filme “Psicose” soa em seus ouvidos – mas logo são reprimidos, com sua resposta ágil:

– Sim, claro… – você balbucia, sem a menor convicção – Quando vai ser mesmo?

No final do dia, na sala de reunião da diretoria. Boa sorte! – Diz seu vizinho de baia, olhando para os lados com o canto dos olhos antes de retornar a seu posto, balançando a cabeça.

Disrupção digital… – você resmunga coçando o queixo – o que seria isso?

Relaxe! Vamos esclarecer agora mesmo o que é disrupção digital e você vai ver que da mesma forma que a física quântica ou as equações fractais, é muito fácil de entender. (Brincadeirinha!)

O que é disrupção digital?

Você não está de todo errado ao considerar que a disrupção digital é um híbrido de inovação disruptiva com transformação digital.

A disrupção digital trata exatamente da mudança generalizada que grande parte dos modelos de negócios sofrerão pelo impacto de novas tecnologias digitais que estão surgindo e superando as existentes.

Alguns falam em desmaterialização de processos.

Desmaterialização de processos? Um raio desintegrador?

Não, não dê para trás agora! Agora não é hora de desistir.

Desmaterializar processos é torná-lo digitais. Qual foi a última vez que você foi fazer um depósito no banco?

Com certeza você faz transferência pelo app de seu banco. Em outras palavras: o cheque, a assinatura, o carimbo e outros recursos materiais – até as cédulas! – foram substituídos por digitais.

Isso é desmaterialização de processos: facilitar a vida das pessoas e das empresas com o uso da tecnologia, reduzindo tempo e custos e aumentando eficiência e resultados.

Lindo, não?

Mas, sim, há também um risco: ficar para trás! (musiquinha de filme de terror ao fundo).

Isso, respire fundo, use um pouco de técnicas de mindfulness… pronto! Melhorou?

Calma. Estou aqui para ajudar…

Da mesma forma que a inovação disruptiva e a transformação digital, você vai encarar mais uma tranquilo!

Ainda faltam 4 horas para a reunião de diretoria sobre disrupção digital, até lá, você vai saber tudo sobre o assunto.

Em 5 anos, 43% das empresas terão sumido por causa da disrupção digital, mas não é motivo de desespero, tudo vai dar certo!

4 em cada 10 empresas podem acabar em 5 anos

Um estudo da Cisco em parceria com o Global Center for Digital Business Transformation aponta dados não muito animadores.

45% das empresas não acham que devem levar esse assunto para ser discutido pela alta direção da organização, mesmo que 75% delas acreditem que a disrupção digital seja importante para o progresso de seus negócios.

O resultado dessas contradições é que apenas 25% das empresas consideram que estão sendo proativas em relação ao tema  e que ele vai trazer resultados.

Por isso, preste atenção: as empresas correm o risco de serem “superadas” pela disrupção digital não porque isso seja inevitável, mas por que não estão se preparando para ela.

E como você vai ter uma reunião com a diretoria daqui a pouco sobre o assunto, isso mostra que sua empresa não vai ficar para trás. A alta direção já se interessou pelo tema!

E para você “fazer bonito” na reunião, trazemos a referência de um artigo incrível sobre o assunto, de um professor renomado internacionalmente.

Dá tempo de ler e grifar as partes mais importantes antes da reunião, aproveite!

O que os estrategistas ainda não entenderam sobre disrupção digital

Freek Vermulen, da London Business School apresentou em um artigo 4 dicas importantes para você se preparar para a disrupção digital.

Ele mostra que muito do que se afirma por aí sobre disrupção digital não é bem verdade, e desmistifica alguns conceitos.

1. Você não precisa ser o líder para vencer

Como a maioria dos negócios digitais se baseia em redes de contatos, as pessoas acreditam que quanto maior sua rede, mais informações sua empresa terá e mais facilmente ela poderá usar esses dados para conhecer e atrair clientes, dominando o mercado.

Sim, é verdade. Mas as redes são imensas e há espaço para concorrentes.

Na verdade, os usuários de aplicativos colaborativos em rede, como o Uber, por exemplo, muitas vezes usam aplicativos concorrentes ao mesmo tempo e optam por aquele que tiver o motorista mais próximo.

Aliás, muitos motoristas fazem o mesmo e estão cadastrados em mais de um aplicativo desse tipo.

2. Produtos e serviços complementares não são substitutos

A disrupção pode tornar seu negócio melhor, e não substituí-lo por outro.

O exemplo de Vermulen é claro: cursos e universidades online não estão substituindo as presenciais.

Pelo contrário, as universidades presenciais estão complementando seus conteúdos com atividades e cursos online ou mesmo oferecendo opções de cursos exclusivamente a distância.

3. Proximidade física ainda conta

Nuvens, conexões móveis, a possibilidade de entrar em contato com qualquer um, em qualquer parte do mundo em tempo real é supervalorizada.

Alguns negócios, como consultoria empresarial, por exemplo, não podem simplesmente se transformar em virtuais.

A experiência mostra que uma conversa franca e direta, olho no olho, é insubstituível para que um bom consultor entenda as emoções, intenções e a personalidade dos executivos.

Sem criar uma conexão emocional com eles, por melhores que os planos de ação sejam elaborados, não vão funcionar, pois, em última instância, é no emocional que ocorrem as tomadas de decisão.

Portanto, a disrupção digital vai ajudar as empresas desse tipo – e várias outras, como escritórios de advocacias e de psicologia, por exemplo – a capturar, tratar dados e realizar o trabalho com mais assertividade e rapidez, sem dispensar o elemento presencial com clientes e parceiros.

4. As coisas não precisam mudar tão rápido

A chegada de novas tecnologias não obriga sua empresa a adotá-las.

É preciso estudar seu impacto e entender como isso pode funcionar – ou não – para o seu negócio.

Veja o exemplo do mundo virtual “Second Life”, onde as pessoas interagem por meio de avatares. Parecia ser um grande negócio promissor. Não passou de uma febre.

Muitas empresas se apressaram em criar lojas virtuais e ambientes para seus clientes nesse mundo digital. Em pouco tempo a moda passou e os altos investimentos se revelaram um desperdício de recursos.

Não foi muito diferente com o Google Glass. Pense em tudo que ele parecia estar trazendo de novo… E se sua empresa tivesse apostado alto nele?

Cuidado: a disrupção digital acontece de formas diferentes em diferentes indústrias. Nem tudo é tão rápido e precisa acontecer de forma precipitada.

Aliás, por falar em tempo, a reunião com a diretoria já vai começar.

Pode aparecer por lá tranquilo: você já sabe tudo sobre disrupção digital.

Veja também: Transformação digital: muito além de apps e da nuvem

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