Por que você deve manter aquele projeto pessoal (mesmo que não receba por ele)

Se você trabalha remoto, é provável que você ame seu trabalho. Mais do que isso, é provável que você está fazendo exatamente o que sempre quis fazer. É uma vida ótima, mas para muitos de nós, existe algo que foi deixado de lado durante o caminho. Muitas vezes, é o que nos levou ao nosso caminho escolhido. Pode ser também o que nos levou a buscar o trabalho remoto…

Eu estou falando do projeto de paixão, aquilo que você sempre quis escrever, projetar ou construir. Se você é um arquiteto, talvez seja aquela casa dos sonhos que você sempre quis projetar. Se é um design gráfico, talvez você queira pegar os antigos pincéis das aulas de artes. Talvez você seja um desenvolvedor com planos de desenvolver seu jogo ou aplicativo.

Se é um projeto de paixão, provavelmente não é pago (ou então seria seu trabalho do dia a dia). E essa é a razão porque essas paixões existem sob o nome de “projetos paralelos”. É mais difícil – mesmo que você tenha uma agenda remota ideal – não deixar de lado esses projetos e ter um equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Algumas coisas entram no caminho. Culpa. Prioridades. O que realmente nos paga dinheiro. Às vezes a liberdade de trabalhar no nosso próprio tempo acaba nos tomando todo o tempo. E energia.

Não precisa ser assim. Na verdade, você não só pode continuar atrás desse projeto, como você deve.

Aqui está o porquê (e como):

1. Você é mais do que uma coisa só (e isso é bom)

Eu comecei minha carreira nos jornais. Eu gostava do trabalho. Eu me tornei um homem das notícias. Gostei da identidade que veio com ele. Mas também perdi uma parte da minha identidade. Eu não queria somente apresentar notícias, eu queria escrever outras coisas, mais criativas.

Veja, muitos repórteres torcem o nariz para redação criativa. De repente eu tive uma crise de identidade. Como eu poderia ser essa coisa e também aquela outra?

Como é muito comum, eu deixei somente um aspecto da minha vida me definir por um longo tempo. Isso foi um erro.

“Acontece que saímos da personalidade [do trabalho] e encontramos nossa verdadeira identidade no mundo da diversão”, escreve Joe Robinson, autor de Don’t Miss Your Life (em português, Não Perca Sua Vida). “Estudos mostram que somos mais autênticos quando estamos em momentos de lazer do que quando estamos no trabalho.”

É difícil ter esse “momento de diversão” às vezes, porque, bom, nós não estamos trabalhando? Mas ao abraçar esse nosso outro lado (aquele que não faz nenhum dinheiro) nós podemos realmente aumentar nossa produtividade em nosso dia de trabalho.

“Alguns empreendedores ambiciosos entendem um dos maiores segredos da produtividade — o princípio do reabastecimento”, escreve Robinson em outro artigo. “Em resumo, é isso: você faz mais coisas mais rapidamente quando você recua e recarrega a mente e o corpo.”

2. Se te faz feliz, arrume tempo

Nós falamos que não temos tempo. Parece verdade. Mas o que nos priva geralmente tem menos a ver com tempo e mais com prioridades. Sua paixão dever ser uma prioridade. Merece seu tempo – mesmo que seja só um pouco.

Um amigo meu é obcecado por cronômetros. Ele escolhe uma tarefa (trabalho, projeto pessoal, pequenos intervalos para saúde mental) e liga o cronômetro. Por aquele período de tempo, ele está preso a aquela coisa. É restritivo e também libertador.

Isso é apenas um jeito. Como a escritora do livro Real Simple (em português, Simplicidade Real), Elizabeth Fenner aponta, existem dezenas de maneiras de criar algum tempo.

E se você quer se sentir menos sozinho, confira o diário temporal de alguns leitores de Fenner. Quando você tiver lido alguns e estiver convencido de que você não é mais ocupado do que as outras pessoas, considere ter um diário temporal para si mesmo. Seja honesto. Então dê uma longa e crítica analisada em como você está gastando seu tempo. Tem coisas que podem ser cortadas? Coisas que você pode delegar? Algo que pode ser reagendado? É possível, mesmo depois de um difícil e longo olhar, realmente tornar sua agenda menos complicada e mais produtiva… o que significa que você teria tempo para o projeto também?

A resposta, geralmente, é sim.

3. …Mas não muito tempo

Por outro lado, às vezes temos que ter cuidado. Quando somos novos no trabalho remoto, achamos que com a liberdade que temos podemos fazer o que quisermos! E assim fazemos… até percebermos que não é verdade. Prazos de entrega ainda são prazos de entrega. Contas ainda precisam ser pagas.

Ser uma pessoa multitarefa pode ser difícil – e potencialmente perigoso para seu trabalho. Especialmente se você é do tipo criativo, esse projeto de paixão provavelmente não é algo que possa ser deixado aqui e ali durante o dia. Para fazê-lo bem, geralmente precisamos (ou pelo menos queremos) de um período de tempo mais longo e focado.

Como encontrá-lo, sem deixá-lo ofuscar seu trabalho?

Existem algumas formas, dê uma olhada em nosso post sobre a técnica Pomodoro por exemplo, um método de treinar a si mesmo para focar em tarefas pequenas e individuais por um certo período de tempo.

Se isso não funcionar para você (mas sério, dê uma chance), existem várias formas de descobrir como organizar seu tempo. Saber equilibrar o tempo gasto entre tarefas pessoais e da vida profissional é essencial.

4. Acredite que seu projeto é digno

“Mas”, você deve estar dizendo, “isso realmente vale o esforço? Não tem como o projeto de paixão ter uma chance de ser tornar o trabalho de verdade.”

A boa notícia é que muitos de nós se sentem assim. Não acredita em mim? Veja um dos meus livros favoritos, A Guerra da Arte de Steven Pressfield, no qual ele fala sobre o inimigo de todos os projetos de paixão: resistência. A resistência chega em diferentes formas  – trabalho que deve ser feito, roupas para lavar, cochilos. Dê o nome que quiser. Nós podemos encontrar todos os tipos de razões para evitar o que amamos ou duvidar de nós mesmos.

Mas não deveríamos.

Nathan Bransford, ex agente literário que se tornou autor, explora esse estado da mente auto depreciativo de “Como você lida com os Estou-Ficando-Maluco?”:

“Você poderia dedicar horas escrevendo um grande romance ou poderia escrever algo que somente será lido por críticos parceiros. Não tem como saber. É quando você olha pro teto e pensa ‘Estou ficando maluco de gastar tanto tempo fazendo isso?” ele escreve. Você não está maluco. Vale a pena porque vale a pena. Quando eu ressalto para meus estudantes de redação que alguns dos mais famosos escritores possuem dias de trabalho normal, eles ficam desanimados até que eu mostre que eles não devam: Se a paixão não faz sentir que vale seu tempo, é improvável que o dinheiro vá também.

Será só mais um dia de trabalho. Então eu lembro eles o que eu já disse aqui: Está tudo bem ser mais do que só uma coisa.

Além disso, se você está realmente preso em como seu projeto pessoal se encaixa em equilíbrio com sua carreira profissional…

5. Pode simplesmente ajudar sua carreira

Existem várias maneiras que seu projeto de paixão pode se encaixar em sua carreira, mesmo que não seja óbvio.

Por um lado, quando você está apaixonado por algo, você simplesmente é uma pessoa mais interessante. Eu entrevisto pessoas para viver, e elas nunca são tão interessantes do que quando elas se abrem para algo que elas amam.

Eu escrevo muito sobre Flint, Michigan em minha ficção e jornalismo. Eu levei isso uma vez para uma entrevista de trabalho. O trabalho não tinha nada a ver com jornalismo e nem com Flint, mas meu potencial futuro chefe estava intrigado. Nós conversamos sobre isso e minha paixão apareceu. Não tinha nada a ver com o trabalho, mas também teve tudo a ver com o trabalho.

Você também deve ter colegas – ou chefes – com interesses similares. Eu fiz minha pesquisa antes dessa mesma entrevista e descobri que ele era louco por artes marciais, assim como eu. Na verdade, nós treinamos o mesmo tipo de arte marciais. Eu falei isso na entrevista? Com certeza. Isso quebrou o gelo. Nós tínhamos algo em comum. Estávamos conversando confortavelmente.

Pense nisso. Se você é um empregador, e está prestes a tomar a decisão de contratar alguém, isso significa que você não está somente dando um trabalho, mas também está convidando alguém a assumir uma função no dia a dia da sua vida. Você quer o melhor colaborador, com certeza, mas também quer contratar alguém que você não se importe em ter ao seu redor. Empregadores gostam de candidatos com interesses e personalidades.

E às vezes ter um conhecimento especializado pode te ajudar. Minha paixão por artes marciais levou a dois dos maiores artigos que eu publiquei. Minha paixão por escrever ficção também me permitiu escrever artigos instrucionais sobre (você adivinhou) escrita, e me levou a um trabalho de ensino também. Eu não recebo muito (ou nada às vezes) pela escrita criativa que eu faço, mas fazer isso me leva a ter mais conexões, mais conhecimento e mais trabalho.

Ah, e aquela entrevista? Eu consegui o trabalho.

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